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Livro de Pedagogia da Universidade Anhanguera prega doutrinação contra postura conservadora

Nos debates sobre doutrinação política nas escolas os professores e pedagogos em geral mostram-se especialmente escaldados. Frente à mínima menção de que o tema precisa ser discutido, passam a proferir acusações como "patrulha ideológica", "fim da liberdade de expressão", "discriminação". A reação exagerada de muitos profissionais da educação tem explicação.
Grande parte da construção teórica pedagógica brasileira reveste-se uma intensão reformadora da sociedade. A concepção de que a pedagogia estaria empenhada em formar intelectuais transformadores seria um papel intrínseco da educação, muito além da transmissão de conhecimento.
Algumas provas deste ponto de vista encontra-se num dos livros base do curso de Pedagogia utilizados pela Universidade Anhaguera. A autora, Maria Lucia de Arruda Aranha, famosa também por outros livros didáticos de filosofia para o nível secundário e universitário,
sem meias palavras, no terceiro capítulo, escancara sua visão:

"Ser um educador intelectual transformador é compreender que as escolas não são espaços neutros de mera instrução, mas carregados de pressupostos que representam as relações de poder vigentes e convicções pessoais nem sempre explicitadas. Imaginar que a escola seja um local apolítico, em que são transmitidos conhecimentos objetivos e apartados do mundo das injustiças sociais, é manter uma postura conservadora. Perigosamente conservadora, por contribuir para a manutenção do status quo."

O trecho é tão claro nas intensões que dispensa esclarecimentos. A autora simplesmente afirma que o posicionamento conservador é algo a ser modificado na sociedade, e que essa missão, que é política, cabe aos professores.  
O livro todo está recheado de fundamentos para essa suposta função ampla do educador.
No capítulo 12 o materialismo histórico de Marx é chamado de teoria científica, como sabemos, essa teoria afirma, entre outras coisas, que não são ideias que mudam o mundo e sim a condição material das pessoas que determinam as ideias e valores; com isso, a educação escolar (como elemento material) seria um instrumento científico de modificação da sociedade, visando atender os próprios objetivos que Marx expôs e já sabemos muito bem o fim. 
Independente de achar ou não, que os mecanismos de controle da doutrinação na escola deve estar a cargo do próprio estado via Ministério Público, os métodos e conteúdos dos professores devem ficar, primeiramente, sob monitoramento das famílias, detentoras originais do poder de determinar a formação humanística de seus herdeiros.

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