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Entenda porque 2016 foi um pesadelo para os esquerdistas.

O blog está parado desde que decidi aprofundar-me em algumas leituras e reforçar as bases para o argumento pró liberalismo. O objetivo não foi atingido completamente, acabei deparando-me com toda teoria das bases do direito e um volume gigantesco de conteúdos. Um redirecionamento das leituras será necessário.
Para não deixar o blog vazio de percepções sobre o que foi o ano de 2016 politicamente, um ano chave para o futuro da sociedade, deixo algumas anotações breves.
O ano que acabou de acabar, trouxe o mais duro golpe para o defensores do coletivismo imposto pelo estado (ideário da esquerda) desde 1991 com a dissolução da União Soviética.
O marxismo, que se auto intitulava uma teoria científica, defendia que a sociedade evolui progressivamente e que a queda do capitalismo era uma questão de tempo, para alguns ainda é. Porém, após duros golpes no século XX, a teoria fortemente carregada da promessa de um mundo melhor tentou fazer as pazes com a realidade e apareceu com a roupagem do bem estar social coletivo oferecido pela instituição do estado, funcionou com relativa desenvoltura por cerca de 25 anos, até 2016.
Uma sequência de eventos que iniciaram-se antes de 2016 marcaram uma interrupção do projeto da esquerda mundial: a falência financeira da Grécia, o enfraquecimento do projeto da zona do EURO, a eleição de Donald Trump, a saída do PT no poder no Brasil e a derrocada do modelo político implantado na Venezuela, para os esquerdistas, são tragédias, pois para eles são eventos que movidos por agentes retrógrados vão conta a evolução científica.
Um dos discursos genéricos que os esquerdistas gostam de bradar é o da necessidade de reformas institucionais para a sociedade melhorar. O significado de melhorar para eles passa pelos valores e medidas que eles irão determinar. É neste ponto que a luta ideológica está acontecendo hoje, e é exatamente nele que esquerda perdeu.
O planejamento central institucionalizado, quando aplicado em sociedades inteiras e já desenvolvidas consegue resultados significativos. O orgão máximo que tenta aplicá-lo ao mundo é a ONU e seus braços, como  FAO, OMS e UNESCO.  Os projetos de unificação política de nações visam a normatização legislativa e de padrões de comportamento humano através daquilo que é conhecido como norma politicamente correta, com o consequente respeito a uma autoridade estatal única para um número cada vez mais elevado de pessoas. A zona do EURO, que tem parlamento próprio, também abarca uma ideia germinal de nação política.
Em 2016 o argumento da unificação dos povos sob uma autoridade política única recebeu duríssimos golpes, o radicalismo de determinados grupos sociais que se pretendeu unificar, o envelhecimento da população maior em algumas regiões do que em outras e a crise do desemprego contribuíram com diferentes pesos. A entrada de refugiados islâmicos na Europa provocou um choque profundo na concepção popular de nação dos povos europeus e respeito a cultura local. Houve elevação do número de estupros, ocorrência de ataques terroristas, e o aumento de gastos com o bem estar social coletivo. Tudo isso, levou a Europa a uma catarse, ao ponto da chefe de governo da Alemanha Angela Merkel, após aceitar 1 milhão de refugiados, declarar que a política de oferecer abrigo deu errado. O presidente americano eleito Donald Trump fez recentes ataques à ONU, numa quebra de consenso jamais vista por tão alta autoridade mundial. Note-se o importante, Donald Trump foi eleito democraticamente.
A esquerda mundial sem a força do poder do planejamento central, obrigatoriamente, se enfraquece na tentativa de promover as mudanças do mundo sob os valores que acredita serem os corretos.
No Brasil um governo de esquerda foi derrubado e o vice presidente eleito democraticamente na mesma chapa eleitoral assumiu o poder. Pressionado pela realidade de uma crise, cujo o endividamento da máquina pública é uma das causas, o novo governo procura fazer reformas limitando o gasto público, consequentemente, contendo o avanço do poder de planejamento e influência central do estado na sociedade brasileira.
O significado futuro completo do ponto de quebra que foi o ano de 2016 ainda é incerto. É evidente que a militância de esquerda perdeu espaço e que o argumento nacionalista ganhou força, porém não há indício algum que nações democráticas estejam se tornando racistas. O comercio internacional entre os povos segue acontecendo sem indicativo que esteja diminuindo, a pobreza no mundo segue diminuindo e a inclusão digital segue avançando entre as populações mais pobres.
Por Leandro C S Gavinier

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