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Arquipelago GULAG

O post que segue, essencialmente, não tem nada de minha autoria. Publico-o para suprir a falta de tal informação digitalizada em língua portuguesa.
Refiro-me à contra capa do livro "Arquipelago Gulag" de Alexandre Soljenítsin. A edição lançada no Brasil em 1975 pela Editora DIFEL trás o seguinte texto:


"O AUTOR E SUA OBRA"
"A publicação de 'Arquipélago Gulag' em Paris, em dezembro de 1973, no original russo, abalou a opinião pública mundial. Pela primeira vez tinha-se um relato completo, documentado, de episódios vividos entre 1918 e 1956, na imensa rede de campos de trabalho soviéticos por onde passaram, segundo o autor, cerca de 66 milhões de pessoas.
Os desesperados prisioneiros do regime viviam em 'ilhas', tão numerosas que formavam um arquipélago, e todo esse sistema era administrado pelo departamento GULAG (Administração Geral dos Campos). Na sua tese central o livro sustenta que as prisões em massa, os julgamentos iníquos e as execuções secretas fizeram parte do Estado soviético desde a sua consolidação em 1918, não sendo apenas uma criação posterior e arbitrária de Stálin.
 Em consequência, o escritor dissidente Alexandre Soljenítsin foi expulso da União Soviética, com toda a sua obra proibida. Era o último ato de um longo drama, que teve como um dos capítulos mais trágicos o suicídio de uma amiga, Elizavieta Voroniánskaia, que havia revelado à polícia russa onde se encontrava o original de 'Arquipélago Gulag'. Depois disso, quietamente, matou-se.
Soljenítsin decidiu então permitir, na França, a publicação do livro, escrito com base em suas experiências como prisioneiro em campos de trabalhos forçados, na Rússia de Stálin, e em depoimentos de outros duzentos e vinte e sete ex-detentos.
Tudo começou em janeiro de 1945. Alexandre Soljenítsin, nascido a 11 de dezembro de 1918 na velha cidade causasiana de Jislovodska, tinha então vinte e sete anos e estava lutando contra os alemães, como capitão de artilharia do Exército Vermelho. Detido no 'front' de Koenigsberg, foi condenado, sem julgamento, a oito anos de prisão e mais quatro de exílio numa remota aldeia soviética, tendo passado menos um ano em hospital para tratamento de câncer. A acusação baseou-se em carta que enviou a uma amigo e na qual criticava os privilégios no Exército e a conduta de Stálin em relação a guerra.
Para um jovem com boas perspectivas, formado em ciências físicas e matemáticas pela Universidade de Rostov e em literatura (por correspondência) no célebre Instituto Moscou, era um duro golpe. Em 1954 reabilitado pelo Tribunal Militar, tornou-se professor em Riázan. E em 1962, após as denúncias de Khruchov contra Stálin, seu livro 'Um dia na vida de Ivan Deníssovich' romance objetivo e realista sobre as prisões especiais de Estado' aparece nas livrarias de Moscou e se esgota rapidamente.
A repercussão da obra impressionou as autoridades, que - terminando o degelo político sob Khruchov proibiram os livros do escritor. Ainda assim, 'O primeiro círculo', 'Pavilhão do cancerosos' e 'Agosto 1914' foram publicados no Ocidente e circulam na URSS em edições clandestinas, ou samizdat.
Em 1969 Soljenítsin foi expulso do Sindicato dos Escritores e, portanto, impedido de ganhar a vida escrevendo. O prêmio Nobel concedido em 1970 apenas acirrou a atitude de censura. Após a publicação de 'Arquipelago Gulag', o escritor foi levado de avião, sob protesto para a Alemanha Ocidental, e, e em fevereiro de 1974, escolheu a Suíça para morar e produzir os volumes seguintes do 'Arquipélago'.
Uma trágica convicção o guia, segundo suas próprias palavras: 'Jamais pensei ter sido condenado sem razão. Antes de tudo, eu exprimia opiniões inadmissíveis para a época'. Soljenítsin jamais se coloca na posição de vítima inocente, mas na de um perseguido que luta por suas ideias".

Até o momento da publicação deste post eu não havia encontrado versão digital do livro em língua portuguesa. Caso encontrem deixem link nos comentários, por favor.

Por Leandro C S Gavinier











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