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A surpresa com o "A Revolta de Atlas" - uma vacina contra o populismo

Não lembro exatamente como descobri a trilogia "A Revolta de Atlas", acho que o vi exposto numa livraria, li a sinopse, que me surpreendeu, comprei e iniciei a leitura em janeiro de 2014.
Minha grande virada intelectual deu-se em 2011 com a leitura de um pequeno livro de Tocqueville, "Viagem aos Estados Unidos", ali estava a semente dos meus questionamentos sobre os perigos da vontade da maioria e da importância da valorização dos direitos individuais(naturais) em relação aos chamados direitos coletivos.
Após iniciar a leitura de "A Revolta de Altas" não foi possível esconder o choque com a sem-cerimônia que Any Rand defendia o individualismo, sem que isso significasse provocar prejuízo à vida alheia. Não apenas isso, há fundamentos concretos, quase lógicos, no livro que apontam, justamente, que o individualismo pode nos levar a dar o melhor de nós. No livro o individualismo é glorificado como a melhor das virtudes, a mais ética, mais sincera, e a que permite melhor desenvolvimento das capacidades humanas. Ao promover essas virtudes, todos sairiam ganhando com o desenvolvimento amplo e generalizado da sociedade.
O combate mais feroz e eficiente que Any Rand consegue fazer é justamente contra a motivação de se sacrificar pelo outro alegando o simples desejo altruístico puro e não por sentir satisfação própria, individual, nessa ajuda. Para Any Rand essa ajuda - isenta - não existe e seria sempre um discurso de fachada, falso, não objetivo, para ocultar os desejos que não se deseja revelar. Essa prática de não revelar os desejos individuais, aliada a defesa pública por parte de governos e formadores de opinião de que todos deveriam dedicar-se à causa do sacrifício dos desfavorecidos, derivaria no coletivismo tornando-o, inclusive, política institucional de estado.
Na distopia criada por Any Rand em 1957, em que o mundo já foi tomado por países chamados de Repúblicas Populares, menção direta a recém denominada República Popular da China em 1949, temas como nacionalização de bens de produção e punição àqueles que recusam-se a trabalhar pelo "bem comum" são esmiuçados em todas nuances constituindo verdadeira vacina contra tais práticas populistas.
A grandiosidade da obra, o detalhamento com que com que destrói o coletivismo e o populismo salientam com a pouca repercussão que a obra teve no seu primeiro lançamento editoral no Brasil em 1987, quando a editora "Expressão e Cultura" o lançou com o título "Quem é John Galt"? Não lembro de ninguém recomendando a leitura do livro na década de 1990, mesmo até o ano de 2005 muito pouco se falava na obra no Brasil. Em 2010 a editora Arqueiro lançou novamente "Atlas Shrugged" com o título "A Revolta de Atlas" e tenho que reconhecer que foi muito feliz no título. Ao pé da letra ficaria "Atlas dá de ombros".
A edição atualizada parece que teve boa repercussão e encontra-se esgotada na maior parte das livrarias do Brasil. Quanto mais pessoas estiverem lendo Any Rand, mais pessoas estarão preparadas, com espírito crítico, para evitar serem enganadas pelo discurso ilusório dos políticos.

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