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Comentário filme: Transcendence - A Revolução. [alerta! Spoiler]


Ao ficar sabendo que o filme Transcendence estava em cartaz  fiz questão de assisti-lo no cinema.
Transcendente não é um filme de ficção científica simples, quem não é minimamente entusiasta, ou não costuma estar antenado ao debate do evento teórico chamado Singularidade, corre o risco de achar que tudo é uma tremenda viagem.
O personagem principal Will Caster (Johnny Deep) é casado com Evelyn (Rebeca Hall), Caster é o principal cientista de inteligencia artificial do mundo e já trabalhou  num projeto para realizar upload da mente para um sistema de processamento quântico. Numa apresentação pública de seu projeto em que, e aqui está um pontos mais importantes do filme, um espectador levanta e pergunta se não estariam criando DEUS, Caster, responde perguntando se não era aquilo que homem vem sempre fazendo.
Após essa apresentação Caster sofre um atentado motivado por grupos neoludistas - militantes anti tecnologia - que o leva a um estado de coma e posterior morte, sua esposa, Evelyn, juntamente com um amigo do casal, Max, resolvem colocar em prática a tentativa de realizar upload da consciência de Caster, projeto dele mesmo, e conseguem.
Com Caster, ou sua consciência artificial, tornando-se um ser onipresente e onisciente a partir do momento que entra em contato com a rede mundial de computadores, e, convencendo sua esposa a estruturar uma rede de alimentação energética somente para seu próprio desenvolvimento, ele torna-se mais do que a mente de um humano presa a um processador, torna-se uma entidade superconsciente e executora de difícil definição, capaz desenvolver técnicas de nanotecnologia impensáveis, de curar doenças da população e de apresentar um comportamento moralmente questionável. Sua esposa, numa trajetória insegura, mas seguindo suas orientações, permanece como única aliada até determinado ponto, encarando de frente todos os outros cientistas de inteligência artificial do mundo que acabam convencendo-se que ele tornou-se um mal incontrolável.
Há dois pontos interessantes que chamo atenção. O primeiro é o fato de uma entidade dotada de inteligência artificial poder tornar-se uma espécie de Deus. Com a manipulação nanotecnológica da matéria, o Will Caster, derivado da inteligência artificial é uma entidade que aproxima-se muito do conceito de Deus [não vou debater esse conceito]. E nos leva a enfrentar o pensamento que a existência de Deus, ou de um Deus, pode ser criada. É, eu sei que é polêmico.
O segundo ponto, e que parece ser tão controvertido quanto anterior, é o julgamento se Will Caster tornou-se bom ou mau? Bom no sentido que estaria ajudando a sociedade naquilo que ela não é capaz de perceber, ou mau sob o ponto de vista da moralidade senso comum humana.
No filme, neoludistas e toda a sociedade iniciam estratégia de guerra para destruir Caster, mas parece não ficar evidente que ele era um mal puro. Há cenas de demonstração de suas descobertas para tornar a agricultura e a medicina mais eficientes, inclusive convocando doentes e realizando tratamentos completamente inovadores com deficientes físicos.
Por fim, para aniquilar a inteligência-existência de Will Caster, após até sua esposa ser convencida de seu mau e cientistas e militantes anti tecnologia a utilizarem para inserirem-no um virus mortal, toda rede elétrica e toda conexão entre computadores do mundo fica devastada. O que ainda assim não se mostra suficiente, na última cena, há uma pista que pode indicar que ele tornou-se parte da natureza material do universo. Haverá continuação? De qualquer forma vale muito a pena assistir e fica a recomendação.


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