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-Greve! Tudo pela nossa necessidade.

Marx em seu "Crítica ao programa de Gotha" escreveu: "De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades"  é o princípio base de uma sociedade comunista. Esse mote distópico, visa organização social justa fundamentada em um comportamento que no fundo é bem pouco humano. Espera-se que cada individuo espontaneamente ofereça toda sua capacidade de trabalho e receba aquilo lhe seja necessário.

Por trás desse mote está a ânsia por uma sociedade justa, igualitária, lugar comum, também, do estado de bem estar social, que menospreza as diferenças entre os homens, sendo verdadeiramente antinatural. Contando que cada um possa contentar-se apenas com suas necessidades a definição de quais seriam essas necessidades ficariam a cargo de quem grita mais. A formação de grupos de pessoas para requisitar necessidades é um meio de reivindicar recursos além do estrito necessário para sobrevivência e ainda assim permanecermos iguais - igualitários. O grupo pode dizer, sob carapuça da ética, que sua manifestação não é por um capricho individual, um desejo elitista, e sim por uma necessidade da população. Assim, hoje, temos uma sociedade que clama por necessidades, pois só essas são justificáveis dentro de uma concepção que só uma sociedade igualitária é perfeita.

Greves pipocando por todo o país, manifestações de ruas requisitando transporte gratuito, saúde pública universal e integral e aposentadorias precoces, são reflexos de indivíduos que querem mais do que o somente necessário, mas tem vergonha de lutar para si próprios, ao invés de procurarem capacitação pessoal, com iniciativa individual, buscam benesses a partir de uma iniciativa totalmente disfuncional: requisitar que um planejamento central - de estado - possa oferecer-lhe tudo isso. Como se esse planejamento fosse possível. O distanciamento do que é dito como necessário do que possível de ser planejado leva a um cálculo sempre impreciso. Além disso, o próprio cálculo é massacrado num governo eleito por eleições diretas e pelo sufrágio universal. Debater a finitude dos recursos é impopular e os governos tendem a manipular as apurações, vide as interferências do atual governo brasileiro nas pesquisas de emprego do IBGE. A espiral de comportamentos disfuncionais, que os governos social democratas provocam com sua gana igualitária, tem feito a sociedade perder o parâmetro do que é necessidade e do é que melhora da qualidade de vida.


Tudo tornou-se necessidade, onde subentende-se que todos dão sua capacidade máxima. Porém, não há mais de onde tirar, não é o simples combate a corrupção que proverá os todos os recursos. A necessidade, como está posta, é infinita!

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