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Tá com preguiça? Fale da Luiza.

Originalmente publicado no Portal Observador Político em 27/01/2012

Luiza Rabelo, paraibana, 17 anos, garota propaganda, recém contratada por Loja de eletro eletrônicos que leva seu nome, cobra quinze mil reais por participação em festas; não se tornou conhecida por algum mérito especificamente seu. É a estrela de uma sociedade acelerada, impulsiva, inquieta e vazia.
Luiza revela que a meritocracia, mérito por direito, está em baixa. Há demanda pela oportunocracia, o mérito por oportunismo. De uma frase quase non-sense, proferida por seu pai num vídeo de divulgação de um empreendimento imobiliário, a garota sem talento, foi lançada ao estrelato de uma nação ávida por referências inéditas, não importando se há talento, dom ou esforço.
O espalhamento da idéia virulenta, fez valer a teoria dos memes, que refere-se à idéia como ente que deseja perpertuar-se, superando até mesmo o que pode parecer lógico, pois não há uma resposta rápida, simples, para o fato da observação de que, “está no Canadá”, inserida num discurso de um pai garboso, ter tornado-se assunto comentado nacionalmente.
Retirando a cota de assuntos prosaicos que conversamos com colegas de trabalho e familiares o que sobra? Será apenas um entreterimento? Um show man custa a criar uma idéia tão virulenta assim. E todos aqueles que estudam estratégias mais agressivas e marketing para dar publicidade ao tema em foco? Onde está a razão do sucesso da inserção, no discurso do pai, de que sua filha está no Canadá?
Temos uma cota para assuntos novos, precisamos da novidade, esta nos motiva, nos empurra para frente. Mas valorizar tal referência, ao ponto de fazer da garota celebridade? Garota propaganda? O que se pretende em realçar um ícone do non-sense?  Resposta: preguiça.

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