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Rondônia não tem Hospital de Custódia (O descaso continua)

Originalmente publicado no Portal Observador Político em 31/03/2013

O descaso é assombroso. Matéria publicada no Portal G1, mostra presos portadores de transtorno mental fazendo tratamento algemados em uma maca de hospital. É medieval. É um total desrepeito a dignidade. Não existe tratamento sob essas condições. Como pode existir um estado que não tem um equipamento de saúde para presos doentes mentais previso pelo código penal de 1940? Rondônia somente tornou-se estado no final do ano de 1981, de qualquer forma, pode-se perceber  que cuidar da saúde mental não é prioridade.
Há tempos eu pergunto: cade o SUS para financiar o tratamento de sentenciados a cumprir medida de segurança em regime fechado? A militância antimanicomial contaminou de discurso ideológico a formação técnica dos profissionais da saúde mental do Brasil ao ponto que a tática de não financiar o tratamento em manicômio virou estratégia de ação. A população que precisa deste equipamento fica abandonada, os estados e municípios precisam se virar com verbas próprias para financiar as ações, pois o SUS não financia Hospitais de Custódia. A política antimanicomial bravamente defendida pelos técnicos do Ministério da Saúde, na minha opinião, é que provoca essas situações medievais frente a um doente mental em crise que cometeu um crime.

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