Skip to main content

Reforma Política, oportunidade para ideias perigosas.

Originalmente publicado no Portal Observador Político em 24/06/2013

Hoje a presidente Dilma anunciou, em resposta aos manifestos que se espalharam pelo Brasil, uma proposta preocupante, aproveitando-se que a REFORMA POLÍTICA está na boca do povo propôs um plebiscito para iniciá-la, sem querer ser catastrófico, gostaria de deixar em evidência os perígos de se colocar tal tema sob o escrutíno de um plebiscito num país onde há hegemonia na polarização política de esquerda.
Com o clima que instaurou-se no país de combate a impunidade e o intenso desejo de mudança, será fácil para um governo fortemente orientado à esquerda propor pautas esterilizantes para a corrupção que na verdade são sonhos de um projeto nunca alcançado em decorrência da suposta dificuldade que as “forças reacionárias da sociedade” impingem ao “governo do povo”.
Entre as ideias perigosas que podem vendidas como salvação podem estar:
1. Financiamento público exclusivo de campanhas.
2. Divisão equalitária dos horários políticos em rádio e televisão.
3. Aprofundamento do voto proporcional com valorização das legendas e voto em lista pré-ordenada(o contrário do voto distrital)
4. Restrição à divulgação de pesquisas.
5. Proibição de cabos eleitorais pagos.
Retirei esses itens dos sites dos partidos de esquerda brasileiros, são propostas que podem muito bem entrar no rol de questionamentos de um plebicito, que incensados por uma máquina e expertise em conclamar massas típicos da esquerda, fatalmente cairiam no popular assim como o 0,20 centavos também caíu.
O financiamento público de campanhas é o sonho maior, o passo inicial perfeito para o PT perpetuar-se no poder, concentrando em si, já que atualmente está no poder, a única chave do cofre de todo dinheiro de campanha de todos os partidos políticos do Brasil; seria o êxtase, o Estado brasileiro controlando toda a campanha política, sem as interferências do empreendedor privado esse ser maligno egoísta, capitalista, reacionário e explorador das massas. Com plebiscito ou não o PT já corre atrás dessa pauta colhendo assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular. No site do partido, já consta de formulários com cabeçalhos pre-prenchidos por estado, prontos para imprimir, não há nada de iniciativa de popular pelo que se pode ver até o momento.
Quanto a divisão equalitária dos horários políticos eu não preciso nem dizer qual orientação política sai beneficiada. O Brasil tem no máximo 2 ou 3 partidos que pregam ideais liberais, todo o resto tem orientação de esquerda, sendo alguns sociais democratas.
O voto proporcional em lista pre ordenada, significa que não se votará mais no candidato e sim na legenda (é o contrario do voto distrital) é uma forma de anular a força do voto direto (essa proposta consta no site do PT e do PSOL).
A restrição a divulgação de pesquisas consta das pautas do PSOL e é censura pura. Um delíro autoritário do partido que se diz da liberdade. A proibição dos cabos eleitorais pagos é outro primor dos socialistas que acreditam que as pessoas são movidas apenas por idelogias puras e ingênuas.
Elenquei alguns temas que, falsamente,  podem ser divulgados, pela máquina de marketing que os partidos de esquerda brasileiros possuem, como medidas saneadoras da política. Sigo a disposição para apronfundar-me na análise das propostas, se provocado, embora não seja eu um cientista político.

Comments

Popular posts from this blog

Fim do ciclo de irracionalidade na política de saúde mental brasileira

Foi em 2003 que entrei em contato de verdade com a realidade da psiquiatria no Brasil, data que iniciei residência médica no Hospital Geral do Campo Limpo localizado nas bordas do violento Capão Redondo em São Paulo. Alguns dos meu professores da época mencionavam a Luta Antimanicomial e a necessidade de acabar com as internações psiquiátricas em manicômios. Reconheci a problemática que encerrava a lógica da assistência psiquiátrica centrada na internação e reconheço até hoje que o modelo de gestão de saúde mental centrado no hospital não é desejável para a sociedade. Porém a radicalização do discurso antimanicomial de alguns profissionais me incomodava, pois ali mesmo, em pouco tempo, deparei-me com uma contradição essencial: na ala psiquiátrica do pronto-socorro do hospital acumulavam-se pacientes em surto, casos gravíssimos, com demanda para internação imediata, e o número de leitos disponíveis na enfermaria psiquiátrica do próprio hospital era insuficiente, diariamente pacientes …

Burnout não é doença.

Segundo dados da previdência social, em 2013, foram concedidos 469 benefícios de auxílio doença e 29 benefícios de auxílio doença acidentário para portadores da condição codificada pelo CID-10 (Código Internacional de Doenças décima edição) como Z73.0 - "Sensação de estar acabado", "Esgotamento". No livro texto original do CID- 10 não há o termo "burnout". http://www.previdencia.gov.br/estatisticas/menu-de-apoio-estatisticas-seguranca-e-saude-ocupacional-tabelas/ A popularmente conhecida Síndrome de Burn Out, burnout, ou síndrome do esgotamento profissional, não é uma doença.

O conceito foi formulado pelo psicológo psicanalista Hebert J. Freudenberger em 1974 e apresentado ao mundo em seu livro  Burn Out: The High Cost of High Achievement. What it is and how to survive it. Numa tradução livre teríamos: Esgotamento: O alto custo dos grandes desafios. O que é e como sobreviver a ele. No livro publicado em 1980 o autor expõe a condição afirmando ter observad…

Teste sua posição política: diagrama de Nolan

Originalmente publicado no Portal Observador Político em 18/06/2012
Falar sobre questões de filosofia política não é minha especialidade, mas é um dos temas que mais gosto de escrever. Na verdade publico este post mais para divulgar um “teste do espectro político”. O diagrama de Nolan foi idealizado pelo cientista político libertário norte americano David Nolan ainda na década de 70 e tem como principal mérito a possibilidade de traçar perfis políticos do ponto de vista da autonomia das liberdades individuais, (eixo Y – vertical); e das liberdades econômicas, (eixo X – horizontal), de modo separado. Superando, assim, um ponto de vista simplista, dualista e muito mal interpretado pelos principais representantes políticos brasileiros sobre os conceitos de direita e esquerda. Segundo Nolan, direita e esquerda, não são necessariamente opostos, de modo que a esquerdaseria defensora de maiores intervenções do estado na economia e maiores liberdades individuais, enquanto que a direitadefende…