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O elogio à mediocridade (Medíocre é o Sakamoto).

Originalmente publicado no Portal Observador Político em 19/062012

Um blogueiro publica um texto que demonstra como a mediocridade, anda em alta nos debates da "intelligentsia" brasileira. Leonardo Sakamoto, que costuma ter seus textos publicados na primeira página do UOL, expôs seus argumentos num texto recente, sugerindo, ainda que de modo mais figurativo, do que propriamente real (acredito eu), que a ostentação de bens como jóias, carros, relógios, sejam considerados crimes pelo código penal e que são uma das causas da criminalidade em São Paulo e dos um dos motivadores dos adolescentes a cometerem seus arrastões nos restaurantes das classes mais favorecidas.
“Ostentação em um país desigual como o nosso deveria ser considerado crime pela comissão de juristas que está reformando o Código Penal. Eles não estão propondo que bulling seja crime? Ostentação é mais do que um bulling entre classes sociais. É agressão, um tapa na cara.”
Pronto! Sakamoto fazendo a surpreendente descoberta científico social que e ambição, a inveja, o consumismo são os motores da criminalidade! E propõe o que? Propõe a redução da desigualdade! Como? Não explica. Que genial não?
Vejam
“Temos que garantir liberdades individuais e a segurança de usufruí-las. Combater a violência, garantir o direito de sair sem ser molestado. Mas isso só será possível com uma sociedade menos desigual e idiota.”
Não propõe nada!  Critica quem ostenta e não propõe nada de concreto!
Desde quando o cidadão precisa preocupar-se com a inveja que vai causar no outro para deixar de comprar algo? Na lógica de Sakamoto os favorecidos devem ser tolhidos de exibir seus bens. Ele quer o que?  Uma sociedade pasteurizada? Padronizada? Onde haja uma cota de ostentação, onde o estado institucionalize a inveja e estabeleça limites para indução de inveja alheia?
Sakamoto, um sujeito que dá muito valor ao potencial criminoso que uma inveja pode causar, só pode mesmo ter uma grande ambição pelo objeto alheio ao ponto de fazer tal sugestão. Aventura-se em matéria criminal, jogando no lixo a teoria criminológica e os critérios biopsicosociais da mente criminosa. Não reconhece o potencial degenerescente de uma mente psicopática e do quanto alguém escolhe fazer o mal, porque simplesmente não importa-se com a dor alheia, a dor de sua vítima, a dor que aprendeu que é incorreta de provocar, mas que decide provocar.
A pecha de pensador social “com raízes na pobreza” como se isso o habilitasse a falar com mais propriedade do assunto, apontando erros dos caminhos sociais da vida moderna, é uma falácia já bem destrinchada pelo meio acadêmico, que trabalha com estatísticas. Afirmar que devemos ostentar menos para sermos mais iguais e assim minimizar desigualdades é desejar uma humanidade menos criativa, menos inventiva, menos interessante, é um desejo totalitário e anti desenvolvimentista, um verdadeiro elogio à mediocridade.

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