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Mazelas da gestão na saúde.

Prestação de serviços em saúde, quer pública ou privada, são sempre díficeis, novos procedimentos, novas tecnologias, a demanda de realização exames como objeto de consumo, a falta de tempo disponível, da parte dos pacientes, em horário comercial para tratamento eletivo, são dificuldades que o gestor público e privado enfrentam. O aprofundamento do modelo de atenção básica, com médicos generalistas, é muito eficaz para populações carentes e completamente desasistidas, mas sem efetividade para populações de trabalhadores da classe média, onde a rotina de trabalho se impõe pela necessidade de manuntenção da qualidade de vida; estas, não gostam de faltar ao trabalho para consultar-se no “acompanhamento de rotina” para um problema de saúde de ordem não aguda. Daí temos pronto-atendimentos lotados. Serviços de saúde funcionando fora do horário comercial ainda não entraram efetivamente na pauta dos gestores privados, muito menos dos gestores públicos.
A falha grave de gestão dos serviços de saúde é ampla e citei apenas um exemplo, acima. Em geral o sistema privado funciona de modo mais eficiente; o sistema público segue engessado por regras totalmente anacrônicas da gestão estatal, como contratação por concurso público, compras pela lei de licitações e rigidez no horário de funcionamento que tornam tudo ainda mais atrasado e pouco conectado com as demandas da sociedade. O princípio da eficiência ditado no Art 37 da Constituição Brasileira, ainda não regulamentado, está esquecido.
O governo do estado de São Paulo tomou, recentemente uma medida interessante visando atender tais demandas da população, como a disponibilização do sábado para realização de exames de ressonância magnética e ultra-som em alguns AME´s (especialidades), entretanto críticas surgiram dos orgãos controle e na imprensa, politizados ou não, que são contra a gestão privada das OSS, quanto à forma de contratação dos funcionários para trabalhar no sábado. O que ficou saliente foi a crítica e não a iniciativa de oferecer atendimento no sábado. O engessamento da gestão pública é completamente incompátivel com a dinaminização necessária do funcionamento de um hospital. Todo o gestor de saúde já sabe disso. Por isso que as OS tiveram tanto sucesso em SP, a simples contratação por CLT, ao invés de concurso público, já permite a reposição de funcionários mais rapidamente. O governo federal também já sabe disso, tanto que criou as EBSERH para realizar a gestão dos hospitais universitários federais, entretanto esse modelo tem sofrido críticas intensas e injustas da militância ideologizada (pró estatal) que compôe toda base de apoio governista, todo corpo acadêmico da saúde pública e também ocupantes de cargos do governo
Quase toda a intelectualidade que pensa saúde pública no Brasil carrega esse ranço pró estatal. Nas colunas de jornais e portais virtuais de debate, quase sempre vemos doutores e mestres de tais e quais instituições, todos com ranço pró modelo estatal. A imprensa não consegue nem fazer essa diferença, respeita-se o título do acadêmico e toma-o como dono verdade. É preciso começar a olhar para os bons exemplos do gerenciamento privado da saúde, e isso não significa adotar a lógica de mercado. Assistência à saúde não deve se submeter á lógica de mercado, mas não também pode contar com a boa vontade do servidor público, prestes a aposentar, para inovar visando ampliar a eficiência.

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